Radiodifusão em Angola

(1937/1975)

A história da radiodifusão em Angola acompanha e por vezes confunde-se com a história da então colónia nas últimas quatro décadas da administração portuguesa.

Foi sem dúvida a radiodifusão um dos principais motores do desenvolvimento de Angola naqueles 40 anos em que o território superou todos os índices de crescimento.

É por isso justo que se registem alguns factos e alguns nomes que marcaram o nascimento em Angola do que ainda hoje é, verdadeiramente e na prática do novo país africano, o meio de comunicação social por excelência.

Dada a vastidão do território e a dispersão das primeiras tentativas de radiodifusão, nunca foi inteiramente conseguida a compilação e o registo de todos os passos relevantes na implantação da rede de estações que, boa nuns locais e menos boa noutros, cobria com alguma eficácia, o vasto território nos inícios da década de 70.

Tanto quanto conseguimos apurar, existe apenas um trabalho sistemático, dactilografado e policopiado, de autoria do engenheiro electrotécnico Celestino de Anciães Felício, dos quadros da Emissora Nacional e que foi o responsável pelo designado P.R.A. - Plano de Radiodifusão de Angola. É esse trabalho, datado de Outubro de 1970, que serve de base a este registo.

Espero que também aqui a Internet exerça a magia da interactividade e contribua para a elaboração da História da Radiodifusão em Angola, de que o trabalho do Eng. Celestino Felício foi o ponto de partida.

Nota prévia: - No período de 40 anos a que se reporta este trabalho, a Radiodifusão em Angola conheceu uma evolução talvez sem paralelo no mundo. Esse factor favoreceu a mobilidade dos profissionais, muitos dos quais trabalharam sucessivamente em várias cidades.  O facto de aqui surgirem relacionados com uma determinada Emissora, significa apenas que, por conhecimento pessoal ou por informações colhidas, concluí que a sua acção foi particularmente marcante na Emissora em referência. Trata-se, pois, de um factor subjectivo e significante apenas nesse sentido.

Diamantino Pereira Monteiro

A radiodifusão sonora em Angola foi iniciada por um amador devidamente autorizado em 28 de Fevereiro de 1931 - ÁLVARO NUNES DE CARVALHO, o CR6AA. Por isso este radioamador é considerado o pai da Radiodifusão de Angola.

A sua estação dispunha apenas de alguns watts e esteve inicialmente instalada em Benguela e depois no Lobito. Pudemos averiguar que ainda funcionava em 1957, mas não sabemos quando se extinguiu.

Parece ter sido também em Benguela que nasceu o desejo de criar uma estação de radiodifusão, por altura de 1935.

Mas tal ideia não chegou a frutificar e foi 6 anos mais tarde que a Rádio em Angola tomou o seu rumo: a criação de associações radiofónicas, os Rádio Clubes.

Uma comissão presidida pelo comandante Manuel de Albuquerque e Castro reúne-se a 8 de Setembro de 1936 para tentar fundar o primeiro rádio clube.

Para enquadrar estes factos, importa referir que por essa altura chegavam de Lisboa até Luanda com certa regularidade as emissões de CT1-AA e chegavam as primeiras notícias da recente criação da estação oficial portuguesa, que viria a chamar-se Emissora Nacional de Radiodifusão. Também nessa altura era já um facto o prestígio da pioneira das rádios privadas, o Rádio Clube Português. Por seu lado em Moçambique já estava bem activo o Grémio dos Radiófilos e dava os primeiros passos a primeira CR7.

Em Angola, repete-se, estava em curso a primeira experiência do CR6-AA, primeiro em Benguela e depois no Lobito. E em fase de arranque estava já, em Luanda,  o Rádio Clube de Angola.

O Lobito já nessa altura era uma das cidades mais pujantes de Angola. As forças vivas cedo se puseram a trabalhar, enviando petições às várias entidades "não pedindo mais nem sequer tanto do que fora concedido ao Rádio Clube de Angola".

Chamaram-lhe Rádio Clube do Sul de Angola, designação que veio a ser transformada em Rádio Clube do Lobito, já que no sul de Angola e mesmo na vizinha cidade de Benguela outros rádio clubes se fundavam. Encabeçava a Comissão Organizadora uma figura política de relevo na altura, o engenheiro Raimundo Serrão.

É em 1938 com um emissor RCA de 100 watts que este segundo rádio clube é autorizado a funcionar em 20 e 40 metros. Mas parece que já em 1937 houve emissões do Rádio Clube do Lobito através do CR6-AA, a julgar por um folheto da altura assinado por Augusto Carvalho e em que se podia ler:

"... no que respeita à aparelhagem, Álvaro de Carvalho lá ia adaptando, reparando, atamancando e as suas emissões lá iam seguindo com certa regularidade. Os discos eram quase sempre os mesmos, pelas naturais dificuldades de compra. Mas logo surgiu alguém – o também pioneiro Joaquim Aguiar que se lançou na tarefa de angariar meio milhar de novos discos".

Reuniões sucessivas estabeleceram as bases do Rádio Clube do Lobito, a partir de uma comissão de fundadores da Casa da Rádio: eng. Raimundo Serrão, Joaquim Aguiar, o indispensável Álvaro de Carvalho (pela sua posição de proprietário do emissor), José Felício, Martins de Oliveira e Alexandre Cordeiro. Todos, com excepção de Joaquim Aguiar eram funcionários do Porto do Lobito.

No dia 3 de Maio de 1937 é feita a primeira emissão através do emissor CR6-AA. O entusiasmo foi tal que logo se concluiu que a iniciativa era irreversível. E nem a desistência forçada do dono do emissor fez esmorecer os ânimos.

Festas, rifas, cortejos de oferendas e peditórios tudo serviu para angariar os fundos necessários para mandar construir de raiz um emissor ao técnico benguelense sr. Belém.

Depois de muitas peripécias resultantes da impreparação de todos, o emissor conseguiu fazer-se ouvir oficialmente no dia 3 de Maio de 1938 (dia em que se festejava a descoberta do Brasil e era feriado). Inauguração que teve honras da presença do então Governador Geral de Angola, coronel Lopes Mateus.

Integravam o quadro de locutores do Rádio Clube do Lobito, então com a designação de Rádio Clube do Sul de Angola, Martins de Oliveira, José Perestrelo e Francisco Macedo.

Um dos pioneiros foi Mesquita Lemos que, depois da Independência, veio a integrar  a Rádio Nacional de Angola, como profissional, mas sobretudo como pedagogo, como docente na Rádio-Escola. E também na Televisão Popular de Angola. Mas Mesquita Lemos iniciou a sua longa carreira no Rádio Clube do Sul de Angola.

Ele próprio conta em entrevista a "África Hoje", esse início: "Mesquita Lemos – que se diz pertencer ao tempo do “lápis azul” (censura) – nasceu nos Gambos, um município da Província angolana da Huíla, para onde seus pais decidiram viver quando Angola fazia parte das antigas regiões ultramarinas portuguesas. É o mais antigo trabalhador da rádio. O “Velho Mesquita” – decano do jornalismo em Angola – recorda-nos que muito recentemente passou o aniversário do acontecimento, por sinal, o mais fascinante da sua vida, aquele em que começou a trabalhar efectivamente na rádio. “Nesse dia, comecei a trabalhar... É que eu era, na altura, funcionário dos serviços do Porto e Caminhos de Ferro, no Lobito, e tinha como Director Geral o Capitão Raimundo Serrão, que era simultaneamente o Presidente do Rádio Clube do Sul de Angola”. Foi sabendo que Mesquita Lemos frequentava o Rádio Clube do Sul de Angola que o Capitão Raimundo Serrão pediu que o jovem fizesse uma emissão especial, apenas para, em curtos intervalos, anunciar repetidas vezes e ao longo do dia que “A guerra terminou”.

O Capitão Raimundo Serrão estava eufórico. Ele pediu que eu repetisse tal frase quantas vezes fossem possíveis ao longo do dia... e lá estava eu... Com essa frase, não como um teste de voz, nascia ali um novo radialista. A sede da Rádio Clube do Sul de Angola era no Largo Leopoldo da Noiva, na ponta da Restinga. Era lá que funcionava um único emissor...; foi uma acção que criou em mim um entusiasmo enorme e que me levou a integrar a vida radiofónica. Passei a fazer um noticiário, cujas fontes de informação eram a própria população lobitanga".

Um pequeno grupo de entusiastas pelas coisas da rádio, daqueles que pacientemente, dia após dia, sintonizavam Lisboa ou Paris, Toulouse ou Londres e principalmente a histórica rádio italiana de então com a mais que famosa locutora da voz de ouro, resolveu constituir uma associação de radiófilos. No início de 1937 realizou a sua primeira assembleia geral e elegeu a primeira direcção presidida pelo sócio número um, o Comandante Albuquerque e Castro, que se manteve à frente dos destinos do Rádio Clube de Angola por mais de três décadas.

Foi no decorrer do ano de 1937 que começaram as experiências de CR6-RC, um modesto emissor de 100 watts que veio a ser inaugurado em Fevereiro do ano seguinte. Pouco depois juntava-se a este emissor o CR6-RA, este já de 250 watts. E no fim da segunda Guerra Mundial começou a funcionar o primeiro emissor de 1 KW, a potência máxima legalmente permitida.

Pouco tempo depois surge outro emissor de 1 KW e o Rádio Clube de Angola lograva  cobrir uma área considerável.

Já na década de 60 instala um emissor de Ondas Médias de 1 KW e outro de Frequência Modulada, de 350 Watts de potência aparente radiada (PAR).

O bairrismo e a rivalidade entre as cidades angolanas, sempre foi um factor de saudável competição. E é nesse contexto que também a radiodifusão se desenvolve em passos de gigante.

Lobito e Benguela, geograficamente muito próximas, eram o paradigma dessa rivalidade e por isso não seria de estranhar que Benguela se seguisse de imediato à iniciativa do Lobito.

Já aqui se lembrou o nome de Álvaro de Carvalho, o CR6-AA, muito justamente considerado o pai da radiodifusão em Angola. Foi um pequeno emissor de 3 watts, alimentado por baterias, construído por si com material retirado de vários receptores, que a voz de Benguela se fez ouvir em vários pontos de Angola, precisamente na noite de 28 de Fevereiro de 1931. Um pouco mais tarde, já com um emissor de 50 watts, Álvaro de Carvalho gabava-se de se ter feito ouvir no então Congo Belga e na África do Sul.

O certo é que, mesmo antes da aprovação e autorização oficiais, o Rádio Clube de Benguela era uma força actuante, quanto mais não fosse no perímetro urbano. Uma descrição da época, conservada nos arquivos do Rádio Clube, referia que ..."por não possuir cristal de fixação de frequência, o emissor tanto se começava a ouvir nos 27 metros como, daí a momentos desatava a trepar por seu pé para a banda dos 31 metros de onde depois desandava para os 28 ou 29, enfim... para onde lhe dava a real gana. Por isso se considerava que, para ouvir a estação de Benguela era um caso tão difícil como pretender agarrar à mão uma enguia..."

Após uns curtos meses consumidos nestes preliminares, num estúdio improvisado num dos torreões do Palácio do Comércio, já com os seus estatutos aprovados, eleita a direcção que nos dez anos seguintes foi presidida pelo dr. António Durães, o Rádio Clube de Benguela encetou a sua marcha, com a designação oficial de CR6-RB.

Foi em 1939 que o tenente aposentado Manuel Domingues Peres, ao cabo de muitas tentativas, encabeçou o designado Movimento da Fundação do Rádio Clube da Huíla, cuja comissão organizadora foi integrada também pelos senhores António Neuparth Vieira, Cândido Alves Espinha e José de Lemos Lopes.

Fazer aprovar estatutos e deslindar uma série de novelos burocráticos, foi obra para alguns meses e muita canseira. Valeu aí a influência do Capitão Ferreira de Carvalho, então governador da Província da Huíla, que consegue abreviar a aprovação dos estatutos. Estava fundado o Rádio Clube da Huíla. Data: 4 de Março de 1939.

Chegados a este ponto, faltava ainda quase tudo. Um Rádio Clube não o é sem emissor e a Emissora da Huíla não era mais que uma centena de entusiastas. Urgia arranjar dinheiro. Em Outubro de 1938 realiza-se uma festa no Parque do Caminho de Ferro, com o objectivo de angariar fundos. A essa iniciativa seguiram-se outras porque toda a receita era mais que insuficiente.

Mas o emissor tinha que vir e veio. Estudadas várias propostas foi encomendado à Casa Philips, em 15 de Janeiro de 1939 o equipamento necessário ao arranque. Compreendia um emissor de 50 watts (a mesma potência que na altura tinha o Rádio Clube de Angola), um microfone, um pick-up (a designação então comum do giradiscos), um dinamotor de 600 watts, alguns discos e pequenos sobressalentes. Custo da aquisição: 57.186$47.

Na segunda quinzena de Maio chegava o ansiado emissor. E foi no dia 28 de Maio de 1939 que se inaugurou solenemente o período experimental, que se prolongou até 11 de Julho. Dirigiam nessa data os destinos do Rádio Clube da Huíla, o dr. José Brilhante de Paiva, capitão Gastão Sousa Dias, Aníbal de Jesus Oliveira, Manuel Domingues Peres e Cândido Alves Espinha.

Nessa fase é justo salientar o nome de João Rodrigues Lopes, membro do Conselho Técnico, o único que se conseguia entender com a tecnologia emergente.

Estabelecem-se contactos com a Estação CR6RS, Rádio Clube do Sul de Angola que, entusiasmada com a aparição de um congénere e usando a experiência entretanto adquirida guia o novo colega CR6RJ e faz a apresentação da Emissora da Huíla ao seu auditório, então já perfeitamente consolidado.

Depois do Rádio Clube da Huíla foram necessários mais de três anos para que surgisse a quinta estação de radiodifusão no espaço angolano.

O primeiro núcleo de entusiastas que em 1942 decididu arrancar com o Rádio Clube do Huambo era constituído por Abel Lara, dr. Paulo José de Castro, dr. Eurico de Carvalho, Augusto de Sousa Morgado, César Augusto Borges e Serafim Alves Monteiro, este último conhecido carinhosamente por "Polainitos".

O seu primeiro emissor de 75 watts, que o RCH coonservou como relíquia pelo menos até 1974, foi então adquirido por 25 contos ao radioamador José de Melo, à data gerente das Plantações do Coemba - além Vila General Machado (Camacupa) e que o não podia utilizar porque se estava na 2ª guerra mundial.

Destaque para o nome de Armando Lopes que emprestou 20 contos para a compra do emissor, cuja montagem foi feita pelo sr. Schneider, de nacionalidade checa. E foi o sr. David Guia quem assinou o termo de responsabilidade técnica perante os Correios Telégrafos e Telefones.

A 27 de Janeiro de 1943 era inaugurado em Nova Lisboa o Rádio Clube do Huambo, em instalações mais que modestas, numa meia água de duas divisões situada num quintal adjacente à firma Almeida & Irmãos.

Os Estatutos foram aprovados em 14 de Junho de 1944 pelo Governador Geral de Angola e dois dias depois realizou-se a primeira Assembleia Geral. Foram primeiros locutores o capitão médico dr. Leitão e os fundadores dr. Paulo de Castro e Serafim Monteiro, o já referido e célebre Polainitos.

Cerca de quatro anos depois, em 1948, o Rádio Clube do Huambo vivia um dos seus períodos de glória. Faziam parte da Direcção o eng. agrónomo Manuel Maia do Vale, o dr. Eurico de Carvalho e Paulo Sousa Borges, os homens que decidiram a aquisição do primeiro emissor de 1 KW e a contratação na metrópole dos primeiros profissionais de Rádio, Fernando Curado Ribeiro e Joana Campino, os dois radialistas que fizeram escola onde germinariam novos e notáveis elementos da Rádio, entre os quais é justo salientar Sebastião Coelho.

A Fernando Curado Ribeiro pertence a autoria do "slogan" que identificou o Rádio Clube do Huambo durante um quarto de século: "Uma voz portuguesa em África".

Um novo marco na história do Rádio Clube do Huambo foi alcançado em 19 de Setembro de 1958, data em que é transferido para o local definitivo, se bem que em instalações ainda modestas. A Direcção era então presidida pelo dr. Fernando Sá Viana Rebelo, tendo como vice-presidente o dr. Almeida Costa, como Secretário Geral o sr. José Inácio de Almeida, como Secretário adjunto o sr. José Joaquim Dantas e como tesoureiro o sr. Hilário Morgado. Sebastião Coelho chefiava os Serviços de Produção.

Se outra data há a destacar na vida do Rádio Clube do Huambo será o ano de 1966, em que teve o maior impulso de sempre, com o arranque da segunda fase das obras do edifício-sede, e o reapetrechamento técnico e humano. É de notar que os anais do Rádio Clube do Huambo destacam as figuras do Governador do Distrito do Huambo, Queimado Pinto e do Presidente da Câmara de Nova Lisboa, coronel Sousa Gentil, como tendo dado apoio inestimável ao Rádio Clube do Huambo.

Desse grupo o primeiro foi o Rádio Clube de Malanje em 1944, iniciando as emissões com um pequeno emissor feito com peças recuperadas de receptores por António Lisboa Araújo, técnico dos CTT e radioamador de grande prestígio. Esse primeiro emissor, de 50W trabalhava na frequência de 7245 quilociclos por segundo, Ondas Curtas.

Foi assinado pelo governador de Província em 14/12/1944 um despacho que criou a Comissão Administrativa com o fim de dar aplicação à importância de 86.862,50 ags, que uma comissão de senhoras angariou em Malanje para dar concretização a uma ideia de há muito tempo: a criação de uma estação emissora em Malanje.

Uma ideia mantida à custa de sacrifícios principalmente de dois dedicados radiófilos que, no seu desejo de dotar a Província com um bom posto de radiodifusão mantiveram em funcionamento, ainda que em condições precárias, o pequeno posto CR6RE. Foram eles José Henriques de Carvalho e José Barreiros Pina do Amaral.

No dia 8 de Janeiro de 1945 reuniram em Assembleia Geral os sócios fundadores do Rádio Clube de Malanje, a fim de elegerem a Comissão Organizadora, que ficou assim constituída: José Barreiros Pina do Amaral; José Antunes Barata; Manuel Madureira, Armando Silva e José Bernardo, ficando o primeiro como presidente da Comissão e com poderes para representar o Rádio Clube de Malanje na Comissão Administrativa nomeada pelo Governo da Província.

Em 1964 foi instalado um emissor de Ondas Médias de 1 KW de potência, da marca General Electric.

Nessa altura estava à frente dos Serviços de Produção o o reputado profissional Joaquim Berenguel e um dos locutores era Alexandre Lemos.

(Informações prestadas por Eduardo Cunha, que foi operador técnico do Rádio Clube de Malanje e retiradas dos jornais "Angola Norte" e "Diário de Luanda").

O Rádio Clube de Moçâmedes começou com um emissor de 50 W, em 1945.

As primeiras notícias da criação do Rádio Clube de Moçâmedes surgem no jornal "O Lobito" de 11/06/1938, onde se anuncia a formação de uma Comissão organizadora, para angariar fundos com vista à criação da sua emissora.

Com uma verba de 153 contos, aquela comissão vê aprovados os Estatutos do Rádio Clube de Moçâmedes em Fevereiro de 1945. No entanto, a data oficial da sua criação é 20 de Novembro de 1944.

Em Abril de 1945 foi eleita a primeira direcção do Rádio Clube de Moçâmedes, com a curiosidade pioneira de integrar a primeira mulher em toda a radiodifusão de Angola.

Em 15/08/1952 foi inaugurada a sua sede num edifício construído exclusivamente para o efeito.

Como pioneiros figuram na história do Rádio Clube de Moçâmedes os nomes de Augusto Cantos de Araújo, Carlos Cristão, Joana Campina, Sebastião Coelho, Maria Manuela, Costa Pereira, Carvalho Minas, Carlos Moutinho, Carlos Meleiro, Ernesto de Oliveira, José Manuel Frota, Arlete Pereira, Rui Rodrigues Costa.

A Rádio Diamang arrancou em 1946, com um emissor de 400W.

Propriedade da Companhia de Diamantes de Angola - Diamang - a emissora nasceu para servir a significativa colónia de funcionários da empresa, um potentado económico que detinha o exclusivo da exploração e venda de diamantes em toda a região das Lundas.

Por esse motivo, e porque funcionava em regime quase fechado, a Rádio Diamang não se enquadrava de todo no panorama da radiodifusão angolana, bipolarizada entre a rádio estatal e os rádio clubes.

Na cidade de Silva Porto, o Rádio Clube do Bié  iniciou as suas emissões em 1947, com um emissor de 250W de potência.

Alguns dos nomes que contribuíram para a história do Rádio Clube do Bié: Saraiva de Oliveira, Margarida Aragão, Luciano Serra, Maria Adelaide, Santos Ferrão, Fernando Teixeira, Odete Ferrão, Jorge Cobanco, Artur José.

O Rádio Clube do Cuanza-Sul foi fundado em Novo Redondo em 1947 por Alberto de Aguiar Monsanto, José Jorge Dinis dos Santos Júnior, António Emílio de Faria Alves, Felisberto da Silva Reis, Manuel Sobral Nobre e Álvaro de Seixas Peyroteo. Iniciou as suas emissões regulares em 1949.

Os fundadores adquiriram, por subscrição pública, um pequeno emissor de 25 wats (em fonia) e 50 wats (para música) – CR6CS.

O carinho e apoio da população do Cuanza-Sul, especialmente da capital, Novo Redondo, traduziu-se em forte apoio material.

No dia 1 de Janeiro de 1948 o Rádio Clube do Cuanza-Sul foi autorizado a funcionar em regime experimental, apenas tendo sido inaugurado oficialmente em 1949, ano em que adquiriu um novo emissor de 250 wats, pela importância de 130 contos.

Os Estatutos do Rádio Clube do Cuanza Sul foram aprovados e publicados no Boletim Oficial de Angola em Fevereiro de 1949.

Augusto Pitta-Grós Dias e Jorge Cobanco foram dois dos chefes de Produção que passaram pela emissora de Novo Redondo.

Regista-se então um interregno de 4 anos e só em 1953 surge o Rádio Clube do Moxico, com um emissor de 50W.

O jornal "Voz do Planalto" de 10/09/1953, noticiava: "Em Vila Luso está em marcha a constituição do Rádio Clube do Moxico, iniciativa encabeçada por um grupo de jovens e que conta com todo o apoio da população.

Por isso a Comissão Organizadora quis que fosse a população a escolher a primeira comissão administrativa, que ficou assim constituída:

Presidente: dr. José Joaquim Galvão Balsa. Secretário Geral: Manuel de Sousa Pereira. Secretário Adjunto: José Pinto de Albuquerque. Para o Conselho Técnico foram nomeados todos os elementos que constituíam a comissão organizadora: Jorge Sousa, Manuel Sousa Pereira, Mário França, Rubens Martins, Élio Pinheiro e Faustino Guerreiro.

Grande parte do impulso se deve ao Sr. Adelino Santos, proficiente amador da rádio, que generosamente se prontificou a ceder o seu aparelho emissor para as primeiras emissões, até que o Rádio Clube do Moxico possa adquirir o seu primeiro emissor privativo".

Depois disto, apenas temos notícia de que em 12/05/1959 o Rádio Clube do Moxico inaugurou o seu primeiro emissor de 1 KW em ondas curtas, que emitia nas banda dos 58 metros para toda a Província.

Em 1954 entra em funcionamento a Emissora Católica de Angola - Rádio Ecclésia que, como o nome indica, era inteiramente patrocinada pela Igreja Católica. Utilizava dois emissores de 50W cada. É curioso notar que a Rádio Eclésia foi a percursora em Angola da alienação das suas emissões próprias, através do aluguer dos chamados "tempos de antena". A estação entregava determinados períodos de emissão a produtores independentes através de um contrato. É óbvio que esses alugueres não podiam deixar de passar pelo "crivo eclesiástico" do estatuto editorial da emissora, mas o facto é que esse crivo era estranhamente largo. É assim que são os emissores da rádio da Igreja Católica que, por ironia,  comportam produtores independentes e declaradamente laicos, como Sebastião Coelho, José Maria e outros, cujos programas desafiavam os limites do "politicamente correcto", no subjectivo entender da censura de então. Uma coisa é certa; seria difícil que  programas como o "Café da Noite" e o "Luanda 7...", fossem passados em Lisboa, mesmo que na Rádio Renascença, nos tempos áureos da censura política. A explicação só pode ser uma: é que esses programas eram tecnicamente muito bons, intelectualmente intocáveis, esteticamente admiráveis... Nesse aspecto, esses programas servem perfeitamente como comprovativo de que, já nessa altura, a radiodifusão em Angola pedia meças e, em alguns casos, superava nitidamente o melhor que se fazia na "metrópole".

Vale a pena reproduzir aqui uma pequena análise das razões que motivaram o aparecimento de uma emissora católica em Angola, e o registo histórico dos seus primeiros passos. Recorro ao livro "A Igreja em Angola" publicado em Março de 1990 pela Editorial Além-Mar, do historiador norte americano Lawrence W. Henderson:

"Três anos após a sua consagração como bispo de Angola e do Congo, D. Moisés Alves de Pinho lançou três publicações: O Boletim da Diocese de Angola e Congo, que se destinava ao clero e era uma publicação bimensal e O Apostolado, um jornal semanal que combinava a divulgação da doutrina cristã com comentários a notícias profanas. Ambas as publicações surgiram como resposta ao crescimento da Igreja, contribuindo para fomentar e incrementar ainda mais a sua expansão. O primeiro director de O Apostolado foi o padre Abílio da Costa Reis Lima, que se manteve naquele cargo até 1947.Em 1953, o jornal tornou-se bissemanário. Em 1954 O Apostolado deu início a uma campanha para a criação de uma emissora católica em Angola. O director do jornal, então o padre José Maria Pereira, escreveu o seguinte:

«Em Angola, e de modo especial na capital, escasseiam as igrejas. E já a alguém ouvimos dizer que talvez fosse mais urgente pensar na sua construção. Longe de nós querer desfazer tal opinião. A construção de novas igrejas até se impõe e é assunto que julgamos dever merecer igualmente a atenção dos católicos. A emissora não virá dispensá-las. Virá porém coadjuvar, de modo prodigioso, a acção do reduzido número de missionários, que Deus sabe os anos que terão de decorrer para serem suficientes. Não haja pois hesitações. Façamos tudo para que no dia 8 de Dezembro próximo possamos consagrar à Imaculada Padroeira de Portugal, não um pequeno templo destinado aos crentes de determinada localidade, mas uma catedral imensa que cubra todos os céus de Angola, qual será uma emissora que diariamente leve aos que vivem nas cidades, como aos que se encontram nos mais afastados recantos do sertão, a reconfortante mensagem da Igreja».

Os católicos corresponderam com grande entusiasmo ao apelo feito e no dia 8 de Dezembro do 1954 realizou-se a primeira emissão da Rádio Ecclesia, com um transmissor de 50 watts. À medida que os anos foram passando, o seu equipamento foi-se modernizando e as suas instalações ampliando, até que acabou por ser a única estação de rádio a emitir vinte e quatro horas por dia para todos os pontos da colónia. As suas emissões regulares incluíam programas religiosos e litúrgicos, assim como música, notícias profanas e algumas rubricas especiais. Para além deste meio de comunicação que chegava a todos os pontos da colónia, cada diocese tinha o seu próprio boletim informativo. Praticamente na mesma altura em que foi publicado pela primeira vez O Apostolado, os protestantes lançaram em Luanda um jornal, O Estandarte. O fundador e editor foi um ministro metodista, o rev. Gaspar de Almeida. O objectivo do jornal era servir todo o território de Angola, mas, devido à falta de uma eficiente rede protestante de comunicações, foi difícil concretizar aquele propósito. As Igrejas protestantes emitiam semanalmente, em estações de rádio privadas, programas com a duração de um quarto de hora, em Benguela, no Lobito, no Luso e em Sá da Bandeira.

O Rádio Clube do Congo Português, que pouco depois, e por alegada necessidade de identificação foi rebaptizado como Rádio Clube do Uíge, iniciou a actividade em 1958 com um emissor de 1 KW.

A 15ª estação radiofónica de Angola – Rádio Clube do Congo – iniciou os seus trabalhos em regime experimental no dia 20 de Janeiro de 1958.

A emissora de Carmona, instalada provisoriamente no edifício do Clube recreativo do Uíge, começou a funcionar com um emissor de 1 KW e com uma discoteca de 3.500 discos.

Nessa altura os Serviços de Produção do Rádio Clube do Congo eram chefiados por Augusto Pitta Grós Dias, que viera do Rádio Clube do Cuanza Sul.

Em 1960 assumiu as funções de Chefe dos Serviços de Produção o locutor Fernando de Sousa, que substituiu Augusto Pita Góis Dias. Nessa altura integravam o quadro de locutores do R.C.C.P: Fernando Marques, Teixeira Júnior e Ferreira Arouca e ainda as locutoras Bety Morais e Gioconda Ferreira.

O Rádio Clube de Cabinda abriu também em 1958, com um pequeno emissor de 25W.

Os seus Estatutos foram aprovados e publicados no Boletim Oficial de Angola em Junho de 1958.

Em 1962 o governo emite licença para a primeira estação puramente comercial, a Rádio Comercial de Angola. Instala emissores e estúdio na cidade de Sá da Bandeira, onde pontificava uma das emissoras pioneiras, o Rádio Clube da Huíla, já na altura com audiência consolidada.

Mas a Rádio Comercial de Angola tinha projectos bastante mais ambiciosos em termos de cobertura do que qualquer dos rádio clubes. Pretendia assumir-se com o monopólio da cobertura de todo o território, com o que isso significava em termos de audiência e também em termos de receitas da publicidade.

Para isso abriu com grande alarido utilizando um emissor de 10KW de Ondas Curtas (embora lhe tivessem sido autorizados dois emissores) e também com um emissor de 1KW de Ondas Médias e um outro de 10W em Frequência Modulada.

Rapidamente, no entanto, a experiência veio dar razão aos que sempre defenderam que uma emissora comercial com tais características e, sobretudo, com tal nível de investimentos, só podia ser sedeada na capital e nunca numa pequena cidade como Sá da Bandeira, onde seria muito difícil garantir receitas suficientes.

Não há dúvida de que a opção se ficou a dever ao prestígio dos dois profissionais que encabeçaram a criação da Rádio Comercial. Carlos Sanches e Pereira Venâncio eram homens de Sá da Bandeira, com grandes credenciais na região e saíram do Rádio Clube da Huíla para abraçar aquele projecto.

Mais tarde eles próprios admitiram o erro e levaram a Rádio Comercial de Angola para Luanda, mantendo-se em Sá da Bandeira uma estrutura de dimensão regional.

Aliás, tanto em Luanda como em Sá da Bandeira, a Rádio Comercial de Angola foi pioneira na alienação da responsabilidade de emissão, passando a alugar "tempos de antena" aos chamados "produtores independentes", uma modalidade adoptada também em Luanda pela Rádio Eclésia,  mais tarde pela Voz de Luanda e ainda por alguns Rádio Clubes dos de mais débeis recursos.

As primeiras diligências para a criação da radiodifusão oficial em Angola remontam a 1950. Praticamente até 1953 era o Rádio Clube de Angola que realizava os programas e noticiários oficiais, de conteúdo necessariamente propagandístico mais do que educativo ou informativo.

As emissões da rádio oficial iniciaram-se em regime de experiência nos fins do ano de 1951, com a criação de um Gabinete de Radiodifusão adstrito à Direcção dos Serviços de Correios, Telégrafos e Telefones. Os seus principais impulsionadores foram, assim, o director dos CTT, Álvaro Pombeiro e o seu director-adjunto técnico, António Augusto Areias, para além do próprio governador Geral de Angola, Capitão Agapito da Silva Carvalho. Todos os apoios de ordem técnica se resumiam aos emissores da Companhia Portuguesa Rádio Marconi e aos estúdios do Rádio Clube de Angola.

As emissões experimentais limitavam-se aos fins de semana com programação mais ou menos regular, de que sobressaíam os "Serões para Trabalhadores". A sua audiência justificou o aluguer de um emissor de 10 KW à Rádio Marconi.

As emissões do Serviço Oficial de Radiodifusão só começaram a ser diárias dois anos depois. Em 1953, ainda em fase experimental, foi apresentada uma proposta para admitir pessoal, adquirir discos, fixar verbas para pagar a colaboradores eventuais, e para adaptação de um edifício ao quilómetro 7, que se destinava a uma escola, para funcionamento dos serviços.

No despacho do Governo Geral de 11 de Abril de 1953, é nomeado o primeiro e único administrador da Radiodifusão Oficial, o engenheiro José Rui de Matos Pereira, técnico superior dos CTT e é esboçado o primeiro quadro de pessoal.

O mesmo despacho tentava definir critérios quanto à contratação de pessoal para a Rádio Oficial de Angola.  Pode ler-se no documento:

"Dada a diversidade de posição entre o pessoal das emissoras privadas e o da Radiodifusão Oficial, é aconselhável, por mais produtivo formar pessoal desde o início da carreira, educando desde o princípio no espírito do serviço, do que aproveitar pessoal já formado nas emissoras privadas, pessoal que, se traz já o treino e a experiência, tem também em si os correlativos vícios e prejuízos".

O Plano de Radiodifusão de Angola, o instrumento regulador de toda a actividade radiofónica, veio a ser iniciado em 16 de Fevereiro de 1961 com a publicação da Portaria no Boletim Oficial de Angola que nomeava a respectiva comissão. A aprovação do Plano foi assinada pelo então Ministro do Ultramar, Adriano Moreira, em 23 de Junho desse mesmo ano.

Só em Agosto de 1964 foram inauguradas as instalações da primeira fase do Centro Emissor de Mulenvos, pelo então Presidente da República Américo Tomaz. A 2ª fase só foi inaugurada em 1969.

Foi criada em 1968, utilizando um emissor de Onda Curta de 10 KW e outro de Onda Média, com 100 Kw de potência.

Na realidade, A Voz de Angola não chegou a existir como emissora autónoma, uma vez que emanava da Emissora Oficial, constituindo como que um desdobramento de emissão. No entanto, funcionava nas instalações da EOA, se bem que com estúdios e pessoal de produção próprios.

Assumidamente dirigida à população autóctone, privilegiava os dialectos mais usados e a música angolana. Por isso chegou a ter bons níveis de audiência, sobretudo na capital.  

A confirmar a evidência de que Luanda -  a capital - era a única cidade em Angola com condições para sustentar economicamente mais do que uma estação privada, em 1964 abre na capital a Voz de Luanda com um emissor de 250KW de Ondas Médias.

Foi a primeira emissora angolana a assumir uma dimensão urbana e local, pois todas as outras começaram com a pretensão de cobertura de Angola inteira e até de todo o mundo...

A primeira tentativa de exploração da televisão em Angola aconteceu em 1962 no Rádio Clube do Huambo que remetera um requerimento para que lhe fosse autorizada a instalação de uma estação de TV. Sem aguardar resposta do governo colonial, em Agosto do mesmo ano, a referida emissora emite as primeiras imagens de TV em Angola.

A experiência foi realizada em circuito fechado no recinto da Feira Oficial da então Nova Lisboa, actual Huambo, mas, como era de esperar, as autoridades impediram o progresso desta iniciativa. Não obstante, as experiências não ficaram por aí.

A 8 de Janeiro de 1964 efectuou-se outro ensaio de transmissão televisiva, desta feita em Benguela. Foi António Freire, locutor do Rádio Clube de Benguela, o artífice da experiência, instalando um monitor à entrada do seu estúdio de rádio. A câmara que Freire utilizara foi a mesma com que se efectuou a experiência de Nova Lisboa, cedida pela “Lusolanda”.

O governo colonial voltou a impedir o prosseguimento desta experiência, sob o argumento de que a legislação portuguesa atribuía à RTP a exclusividade do monopólio da instalação e exploração em territórios portugueses, de serviços públicos de radiodifusão na sua modalidade de TV.

Apesar do braço de ferro que a PIDE impunha a qualquer tentativa de instalação de TV em Angola, um grupo de profissionais de informação desafiou uma vez mais as autoridades coloniais ao lançar outra experiência de televisão, desta vez em Luanda, aos 22 de Junho de 1970. A ideia terá sido de um técnico da Lusolanda conhecido por Oliveira, cuja empresa detinha na época duas câmaras de TV e cerca de dez televisores, os quais facilitaram a experiência. Para tal, o estúdio foi montado na boite Tamar, na ilha de Luanda.

Depois de um trabalho que durou todo o dia e metade da noite, daquele 22 de Junho, os preparativos terminaram por volta das 21 horas, 30 minutos antes do início do programa radiofónico “Café da Noite” da Emissora Católica, feito por Sebastião Coelho, Norberto de Castro e Maria Diná.

Finalmente, às 21h30, era emitido o programa “Café da Noite” feito para a Rádio e Televisão, um programa que durou algo como hora e meia, desta vez sem interferência das autoridades de então.

A estação oficial

Entretanto, foi no final da década de 60 que, com a abertura ao capital estrangeiro, o governo colonial português é forçado a reconhecer a urgência e a necessidade do estabelecimento, a curto prazo, de um serviço de televisão nas colónias como mais uma máquina de acção psicológica pró-regime.

No âmbito do Ministério do Ultramar, é criada, em 1969, uma comissão para estudo da implantação da televisão nas colónias. Só em 27 de Junho de 1973 vem, no entanto, a autorizar a constituição de sociedades anónimas para a exploração desses serviços.

É nestes termos que se constitui a "RPA/TPA" - Radiotelevisão Portuguesa de Angola (Boletim Oficial de Angola - III. Série, n.º 27 de 1 de Fevereiro de 1974), sendo no ano seguinte, já em regime de transição política, substituída a palavra "Portuguesa" por "Popular". A 18 de Outubro de 1975 a televisão dá início, em Luanda, às suas emissões regulares. Aos 25 de Junho de 1976, a televisão é nacionalizada pelo Governo da República Popular de Angola, passando a constituir uma entidade nova designada pela sigla "TPA" - TELEVISÃO POPULAR DE ANGOLA - conforme consta no Diário da República - I Série n.º 149, lei 50/76 de 25 de Junho de 1976.

Em 1979 dá-se corpo a uma iniciativa local, nas cidades de Benguela e Lobito e em 1981 surge no Huambo o primeiro centro de produção regional, no verdadeiro sentido. Em Setembro de 1997, a TPA vê-se transformada em Empresa Pública, por força do decreto n.º 66/97 de 5 de Setembro (Diário da República - I Série - n.º 42 - 5 de Setembro de 1997), sendo a palavra "Popular" substituída por "Pública", na sua designação oficial. Conforme estabelece o seu estatuto, aprovado pelo Conselho de Ministros, "a TPA é uma empresa pública de grande dimensão e de interesse público, dotada de personalidade jurídica, autonomia administrativa, de gestão e património próprio" e "tem por objecto principal, a prestação de serviços públicos de radiotelevisão informativa, publicitária e recreativa".

In “Africa Hoje”